22/11/2009 - Leave a Response

Um lugar onde

Não Há
Não É
Não Tem

Abismo

Não Vê
Não Sonha
Não Crê

Esconderijo

Do caramujo
Da ostra
De mim

E.

23/09/2009 - Leave a Response

Indócil
Afável
Intrigante
Adorável

Charmoso
Encrenqueiro
Misterioso
Enfático

Gostoso
Valente
Incerto
Instável

Romântico
Livre
Cavalheiro
Indomável

Clichê

04/09/2009 - Leave a Response

Ele pode se amoldar a muitos corpos
E sorver o suor dos aflitos
E comungar a dor represada
E acalmar a ira e o conflito

Ele pode sussurrar aos quatro ventos
E gritar ao pé do ouvido
E tremer ao toque contido
E estimular a alegria e o riso

Ele pode seguir por ruas distantes
E dormir num abraço apertado
E fugir numa vã tentativa
E gozar num gemido abafado

Ele pode acordar bem cedinho
E andar sempre meio apressado
E tropeçar numa ideia divina
E seguir num caminho apertado

Ele pode costurar as feridas
E colar um final no passado
E desenhar um horizonte de flores
E abençoar corações renegados

E pode aparecer de repente,
como quem não consegue chegar…
(Surpreendendo os desatentos,
assustando os desalmados)

E pode ficar para sempre,
como quem não deseja partir…
(Acolhendo os esquecidos,
aconchegando enamorados)

blog-amor

Ou quase isso

18/02/2009 - Leave a Response

maos

 

 

 

 

E pra você eu sou em ondas
Como num mar cibernético
Minha imagem fracionada
Navega pela rede virtual
Palavras flutuam na retina
E desejam se tornar verdade
Mas a simulação dos fatos
Me impede de ter você
De verdade

Sob o prisma do tempo

17/02/2009 - Leave a Response

Sob o prisma do tempo

O passado não é, mas contém, no presente, a essência daquilo que foi.

O futuro será, mas contém, no presente, a semente daquilo que somos.

O presente é o que é, essência do agora, infinito contido, expressão sincera e espontânea da realidade visível.

Do infinito

02/02/2009 - 2 Responses

O infinito
Cálice da vida
Desconhecido
É pra sempre
O agora
Estanque num redemoinho
De estrelas

Sobe e desce
Afunda e projeta-se
Para o além
Do mar
Do céu
E de mim

Obscuros sentidos
Derretem de sua imensidão
Buraco negro
Nebulosas azuis
E o meu solitário entendimento

Ah, infinitas histórias
Que a humanidade produz

Infinitos são os minutos
Infinitas são as horas

Quanto tempo?

Pensamento subversivo II

01/02/2009 - Leave a Response

Ao olhar de viés pelo espelho, percebo uma imagem disforme. Meio oculta, meio manifesta, levemente distorcida. O vulto está parado, mas conforme eu me desloco, a figura ganha contornos diferentes. Metade do corpo é mole e a outra metade é dura. Um olho está perdido no tempo, o outro, focado no agora. O lado direito é mais escuro, mas o esquerdo é revestido de breu. Seus ombros não sustentam o mundo e eu me pergunto se esse vulto não sou eu.

Pensamento subversivo I

01/02/2009 - Leave a Response

Os olhos negros se arregalam e a pupila dilata. A parte branca que reveste a córnea se expande e impulsiona o globo ocular para fora. As veias da testa, próximas das sobrancelhas, transformam-se em grandes canais esverdeados, para, logo em seguida, estourarem em gotas azuis. Dos poros da testa escorre um sangue venenoso, que encharca os seios da face e entra pela boca apavorada. Os dentes tornam-se maiores diante da gengiva que encolhe. A língua murcha e vira cinzas. Porém, o rosto enraivecido ganha um contorno cintilante, mas opaco. E de dentro da garganta um líquido vermelho escuro é expelido. O corpo cai trêmulo e as mãos, já sem força, tentam agarrar o vazio inacessível. Apenas os ossos sustentam uma vida frágil, perdida e metamorfoseada em calafrios.

Romance súbito

01/02/2009 - One Response

Parecia brincadeira, mas não era não.
Ele voltou.
Quanto tempo, quanta saudade!
Veio de surpresa e me pegou desprevenida.
Seríamos amigos ou namorados?
Um beijo repentino e uma esperança.
Um abraço gostoso… e dois chopps, por favor!
Havia tanto em seu passado…
(ciúmes inesperados).
Por que ele (ainda) a amava tanto?
Desconforto sob medida.
Mais um chopp, por favor!
E uma noite de (amor?).
Sonhamos cúmplices.
Dormimos abraçados.
Acordamos famintos.
Passado iminente ou presente repentino?
Um futuro duvidoso permeava meu vazio.
Perguntas foram contidas.
E carinhos despertados.
Mas ao menos por um dia…
Ele foi meu namorado!

O tempo acessível

01/02/2009 - Leave a Response

Um dia de feriado me ajudou a refletir sobre o tempo…

O tempo no feriado parece disperso. Ele não é contido, exato e definido como um dia da semana – quando é constantemente vigiado pelo tic-tac do relógio, pela idéia fixa da ampulheta ou pelo banco de horas do trabalho.

O tempo de feriado é abstrato e incompreensível aos calendários. É fluido, solto, aerado. Escorre e vai, por aí, a procura do nada, feliz apenas por não ser tão importante.

RelógiosO tempo cronológico, por sua vez, sempre alerta, fica a espreita no aguardo de sua posse oficial. Quando o reinado do tempo abstrato termina, o tempo cronológico conta os dias e as horas, sem deixar nenhum segundo em vão.

As pessoas, nesse meio-tempo, subjugadas pelo que acreditam ser uma verdade inviolável, acatam as ordens irrevogáveis do autêntico repressor – o comandante das horas exatas.

O mundo passa, então, os dias num eterno infortúnio, amaldiçoado pelo tempo desperdiçado, angustiado pelas horas que não foram aproveitadas intensamente.

De vez em quando, porém, o relógio dá uma trégua. O tempo abstrato aparece lá pelas altas horas da madrugada, no fim de semana ou no final do ano, lembrando que o tempo, na verdade, não é o dono de nós.

Basta um silêncio de 5 minutos, uma pausa no meio do dia e lá está ele: acessível, risonho, alegre, como um amigo de longa data que nunca nos abandona.

FELIZ TEMPO NOVO!
FELIZ 2009!