Indócil
Afável
Intrigante
Adorável
Charmoso
Encrenqueiro
Misterioso
Enfático
Gostoso
Valente
Incerto
Instável
Romântico
Livre
Cavalheiro
Indomável
Indócil
Afável
Intrigante
Adorável
Charmoso
Encrenqueiro
Misterioso
Enfático
Gostoso
Valente
Incerto
Instável
Romântico
Livre
Cavalheiro
Indomável
Ele pode se amoldar a muitos corpos
E sorver o suor dos aflitos
E comungar a dor represada
E acalmar a ira e o conflito
Ele pode sussurrar aos quatro ventos
E gritar ao pé do ouvido
E tremer ao toque contido
E estimular a alegria e o riso
Ele pode seguir por ruas distantes
E dormir num abraço apertado
E fugir numa vã tentativa
E gozar num gemido abafado
Ele pode acordar bem cedinho
E andar sempre meio apressado
E tropeçar numa ideia divina
E seguir num caminho apertado
Ele pode costurar as feridas
E colar um final no passado
E desenhar um horizonte de flores
E abençoar corações renegados
E pode aparecer de repente,
como quem não consegue chegar…
(Surpreendendo os desatentos,
assustando os desalmados)
E pode ficar para sempre,
como quem não deseja partir…
(Acolhendo os esquecidos,
aconchegando enamorados)


E pra você eu sou em ondas
Como num mar cibernético
Minha imagem fracionada
Navega pela rede virtual
Palavras flutuam na retina
E desejam se tornar verdade
Mas a simulação dos fatos
Me impede de ter você
De verdade

O passado não é, mas contém, no presente, a essência daquilo que foi.
O futuro será, mas contém, no presente, a semente daquilo que somos.
O presente é o que é, essência do agora, infinito contido, expressão sincera e espontânea da realidade visível.
O infinito
Cálice da vida
Desconhecido
É pra sempre
O agora
Estanque num redemoinho
De estrelas
Sobe e desce
Afunda e projeta-se
Para o além
Do mar
Do céu
E de mim
Obscuros sentidos
Derretem de sua imensidão
Buraco negro
Nebulosas azuis
E o meu solitário entendimento
Ah, infinitas histórias
Que a humanidade produz
Infinitos são os minutos
Infinitas são as horas
Quanto tempo?
Ao olhar de viés pelo espelho, percebo uma imagem disforme. Meio oculta, meio manifesta, levemente distorcida. O vulto está parado, mas conforme eu me desloco, a figura ganha contornos diferentes. Metade do corpo é mole e a outra metade é dura. Um olho está perdido no tempo, o outro, focado no agora. O lado direito é mais escuro, mas o esquerdo é revestido de breu. Seus ombros não sustentam o mundo e eu me pergunto se esse vulto não sou eu.
Parecia brincadeira, mas não era não.
Ele voltou.
Quanto tempo, quanta saudade!
Veio de surpresa e me pegou desprevenida.
Seríamos amigos ou namorados?
Um beijo repentino e uma esperança.
Um abraço gostoso… e dois chopps, por favor!
Havia tanto em seu passado…
(ciúmes inesperados).
Por que ele (ainda) a amava tanto?
Desconforto sob medida.
Mais um chopp, por favor!
E uma noite de (amor?).
Sonhamos cúmplices.
Dormimos abraçados.
Acordamos famintos.
Passado iminente ou presente repentino?
Um futuro duvidoso permeava meu vazio.
Perguntas foram contidas.
E carinhos despertados.
Mas ao menos por um dia…
Ele foi meu namorado!
Um dia de feriado me ajudou a refletir sobre o tempo…
O tempo no feriado parece disperso. Ele não é contido, exato e definido como um dia da semana – quando é constantemente vigiado pelo tic-tac do relógio, pela idéia fixa da ampulheta ou pelo banco de horas do trabalho.
O tempo de feriado é abstrato e incompreensível aos calendários. É fluido, solto, aerado. Escorre e vai, por aí, a procura do nada, feliz apenas por não ser tão importante.
O tempo cronológico, por sua vez, sempre alerta, fica a espreita no aguardo de sua posse oficial. Quando o reinado do tempo abstrato termina, o tempo cronológico conta os dias e as horas, sem deixar nenhum segundo em vão.
As pessoas, nesse meio-tempo, subjugadas pelo que acreditam ser uma verdade inviolável, acatam as ordens irrevogáveis do autêntico repressor – o comandante das horas exatas.
O mundo passa, então, os dias num eterno infortúnio, amaldiçoado pelo tempo desperdiçado, angustiado pelas horas que não foram aproveitadas intensamente.
De vez em quando, porém, o relógio dá uma trégua. O tempo abstrato aparece lá pelas altas horas da madrugada, no fim de semana ou no final do ano, lembrando que o tempo, na verdade, não é o dono de nós.
Basta um silêncio de 5 minutos, uma pausa no meio do dia e lá está ele: acessível, risonho, alegre, como um amigo de longa data que nunca nos abandona.
…
FELIZ TEMPO NOVO!
FELIZ 2009!