Pensamento subversivo I

Os olhos negros se arregalam e a pupila dilata. A parte branca que reveste a córnea se expande e impulsiona o globo ocular para fora. As veias da testa, próximas das sobrancelhas, transformam-se em grandes canais esverdeados, para, logo em seguida, estourarem em gotas azuis. Dos poros da testa escorre um sangue venenoso, que encharca os seios da face e entra pela boca apavorada. Os dentes tornam-se maiores diante da gengiva que encolhe. A língua murcha e vira cinzas. Porém, o rosto enraivecido ganha um contorno cintilante, mas opaco. E de dentro da garganta um líquido vermelho escuro é expelido. O corpo cai trêmulo e as mãos, já sem força, tentam agarrar o vazio inacessível. Apenas os ossos sustentam uma vida frágil, perdida e metamorfoseada em calafrios.

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